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Desafio da rede de atendimento aos casos de violência é evitar a insensibilidade, diz Marilda Lemos

Marilda defende a capacitação constante das equipes para evitar a desmotivação
Marilda defende a capacitação constante das equipes para evitar a desmotivação

O grande desafio de toda a rede de atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica e aos homens autores de violência é evitar perder a sensibilidade no trato com o próximo.

Esta é a opinião da palestrante Marilda de Oliveira Lemos, coordenadora do Programa “E Agora José”, facilitadora do 2º Seminário “Desafios da Rede de Enfrentamento da Violência contra a mulher”, realizado nesta quarta-feira, 19 de agosto, no Auditório da Secretaria de Educação.

A promoção do evento, que reuniu 43 pessoas, foi do SSPCIC (Serviço Social em Promoção da Cidadania Imaculada Conceição), através do Projeto Tempo de Superação. Este projeto consiste em grupos reflexivos para autores de violência encaminhados pela Justiça.

“O desafio da rede de atendimento é não perder a sensibilidade. As equipes estão cansadas, desacreditadas e muitas vezes são preconceituosas”, disse Marilda.

Por isso, defende que os profissionais da linha de frente tenham compromisso ético com as mulheres atendidas pela rede. “A primeira coisa no atendimento às mulheres é a escuta humanizada”, explicou Marilda. Daí a importância da realização de capacitações frequentes.

De manhã, Marilda informou os conceitos sobre toda a rede de enfrentamento e de atendimento das vítimas de violência e dos autores, envolvendo órgãos governamentais e não governamentais no combate, prevenção, assistência e garantia de direitos.

 

Violência é uma questão social

Marilda disse que a Lei Maria da Penha prevê o funcionamento dos grupos reflexivos para autores de violência doméstica para permitir a responsabilização dos homens pelos seus atos.

Esse projeto, que, em Santa Bárbara chama-se Tempo de Superação, é vinculado ao Poder Judiciário, que faz o encaminhamento dos autores de violência. Santa Bárbara foi pioneira na implantação do grupo que já atua desde 2022.

Marilda afirmou que a violência praticada pelos homens não é uma patologia, mas causada por comportamentos definidos por questões culturais da sociedade patriarcal. Por isso, os grupos não são punitivos, mas educativos.

Os princípios básicos do atendimento aos autores são reflexão sobre seus atos e responsabilização por eles. O projeto estuda a organização social e promove uma reflexão sobre o que é ser homem na sociedade. Também joga luz sobre a desigualdade de poder entre homens e mulheres.

À tarde, Marilda compôs uma mesa de autoridades com a irmã Maria Geni de Brito, a advogada Fernanda Facchini e o guarda Emerson Carvalho, que responderam perguntas do público presente.

Fernanda disse que a principal meta é garantir a autonomia das mulheres, para que busquem sua dependência financeira, visando romper o ciclo da violência.

 

Santa Bárbara está montando protocolo de atendimento

A coordenadora do CRAS V, Ana Carolina de Freitas Furlan, informou que a rede de assistência social está criando um protocolo de atendimento à mulher vítima de violência, para definir as portas de entrada e o fluxo de atendimento, os casos urgentes, os serviços de acolhimento, os atendimentos imediatos e encaminhamentos.

 

Depoimentos dos autores de violência

Na abertura do evento, seis participantes do projeto prestaram depoimentos sobre os conhecimentos adquiridos no grupo e como contribuíram para mudanças de comportamento.

Alguns dos comportamentos que adotaram após participação nos 16 encontros do grupo de reflexão foram:

·         Aumento da paciência

·         Controle emocional

·         Mudança de pensamento e comportamento

·         Aumento da humildade e humanidade

·         Reflexão sobre seus comportamentos e sobre consequências das brigas entre casais

·         Aumento da empatia pela esposa, filhos e no ambiente de trabalho

 

Encerramento foi com música

O encerramento do evento foi com apresentação musical das participantes na oficina de Musicoterapia “Vozes que florescem” para mulheres e equipe da Casa Abrigo Recanto Vida, ministrada pela professora de dança e música, Paula Bueno.

“A música é um instrumento potente de cura; ajuda  na autonomia e na elevação da autoestima. Nós temos que falar, não podemos nos silenciar”, disse Paula.

 

 


 
 
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